sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Blá blá

Não me apetece escrever.

Quero apenas carregar nas teclas e ver o que segue. Ouvir o Van, enxugar o copo com o 12 anos e o gelo e aspirar este cigarro até ao fim.

Não me apetece escrever.

Esta coisa da mudança, do este ano é que é, do agora é que vai ser, enerva-me um bocado. Desisti dos sms de Natal e fim do ano. Não por causa da crise mas porque não quero entrar nisto do agora é que é.

Não me apetece escrever.

Vou só ouvir vezes sem conta The healing game e beber este 12 anos...

Amo-te Mãe! o que seria de mim sem as tuas lágrimas...

Here I am again
Back on the corner again
Back where I belong
Where I've always been
Everything the same
It don't ever change
I'm back on the corner again
In the healing game
Down those ancient streets
Down those ancient roads
Where nobody knows
Where nobody goes
I'm back on the corner again
Where I've always been
Never been away
From the healing game
Where the choirboys sing
Where I've always been
Sing the song with soul
Baby don't you know
We can let it roll
On the saxophone
Back street Jelly Roll
In the healing game
Where the homeboys sing
Sing their songs of praise
'Bout their golden days
In the healing game
Sing it out loud
Sing it in your name
Sing it like you're proud
Sing the healing game
Sing it out loud
Sing it in your name
Sing it like you're proud
Sing the healing game
Sing the healing game
Sing the healing game
Sing it in your name

domingo, 6 de dezembro de 2009

Personagens

Atravessamos tempos em que cada um de nós necessita de se transformar numa personagem diferente daquilo que realmente é. Esta necessidade de transformação fica a dever-se a inúmeras circunstâncias da vida. Não tenho a ambição de dissertar sobre todas as razões que nos levam a tomar tais atitudes mas queria expor algumas.

A inveja dos outros, a insegurança no que se é, a vergonha do que se é ou a ambição de ser são apenas algumas dessas razões.

Em muitos casos existem entre nós, aqueles que fazem tudo por parecer como acham que os outros querem que eles sejam. Vestem peles de duros ou sensíveis, fortes ou fracos, hetero ou homossexuais consoante aquilo que esperam que outros pensam que eles sejam. Quantos exemplos de carreiras disto ou daquilo porque os país quiseram, casamentos e filhos neste mundo porque é o que é correcto, atitudes mais ou menos cruéis porque é o que esperam de mim?

Claro que estas diferenças se alteram com o tempo, com a interlocução social podemos dizer com a vida. Torna-se evidente que aqueles que conseguem "sair do armário" transformam-se em pessoas melhores pois deixam de viver num conflito permanente de interesses interiores.

Sendo que os espectáculos existentes na nossa sociedade são construções exageradas da vida que levamos e que pessoalmente gosto da maior parte dos tipos de espectáculos (excepto os que metam os chamados "animais irracionais" e a violência sobre os mesmos) é sempre um choque quando temos uma personagem que é imbatível, vencedora, brutal e descobrimos da pior maneira ser um homem fraco, cheio de problemas. Torna-se sempre uma tristeza ver alguém jovem, com família incluindo filhos, desperdiçar a vida morrendo de uma forma estúpida e insignificante.

No espectáculo deu-nos grandes momentos de diversão, na vida não conseguiu fazer o mesmo. Tal como muitos dos que não estando no espectáculo mas gostando de o dar, tornam-se artistas mas na vida não deixam nada a não ser choque e dor para os mais próximos.

Escrito a pensar no homem Eddie Fatu e na personagem o grande Umaga.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O melhor pequeno almoço do mundo


Receita para o melhor pequeno almoço do mundo

Sopas de leite
Ingredientes:
Pão duro
Leite quente com café
Manteiga de vaca
Açúcar
Amor de Mãe
Confecção:
Parte-se o pão duro que existe. Aquele que vai sobrando de um dia para o outro.
Junta-se o leite quente. Aquele leite de vaca que tinha de se ferver antes de se usar e que fazia uma nata grossa.
No leite põe-se café. Aquele de cevada, o tal do gostinho especial.
No topo de tudo, polvilha-se o açúcar. Aquele branco, que engrossava com a humidade e que era uma aventura parti-lo.
No fim, separa-se uma colher de manteiga de vaca. Aquela dura e salgada que sabia realmente a manteiga e espera-se que derreta.

Junta-se tudo com amor de Mãe. Aquela que não conseguimos descrever, nem nunca lhe dizer o quanto é importante para nós. Aquela que sabemos estará sempre ao nosso lado e nós perdoará todos os pecados que cometamos.

Com uma colher de sopa, um olho na tigela e outro nos desenhos animados, deseja-se que o momento dure para sempre.

Freebird

Partir porque não se pode ficar
Seguir para um sitio diferente
Chegar onde nunca se quer estar
Desejar não ser gente

Conseguir pairar sobre o som
Imaginar a forma de cada nota
Antecipar cada memorável tom
Dedilhar de cordas únicas brota

Desafiamos a normalidade
Juntos na viagem cósmica
Mantendo a nossa liberdade
Lá na estrela onde o amor radica

Com a benção de Deus
e a permissão do Diabo
Como árabes e judeus
em constante luta acabo

A perfeição não é destruída
nem pela vida nem pela morte
A eternidade é conquistada
usando o amor como transporte



Cause I'm as free as a bird
And this Bird you can not change

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Delírios sobre a eternidade


A eternidade será um estado da existência humana atingível por todos mas atingido por muito poucos.

A eternidade pertence aqueles que entendem as diferenças, vivem-nas e respeitam-nas tornando-as desta forma indiferentes.

A eternidade será a vivência dos indiferentes. Uma vivência em Paz, Salam ou Shalom pois não têm nada que os divida.



Uma convivência de amor, com amor, entre seres que se amam e respeitam. Com este estado restará ensinar e educar os que vêm.

Deve ser esta a definição de paraíso seja em que religião for.

Já dizia um dos eternos "Amai-vos uns aos outros..."

domingo, 22 de novembro de 2009

Novas experiências


Nem sempre principio tem de ser igual a inicio. Há dias em que principio é igual a novidade, em que a diferença acontece e se agradece. Quando algo novo surge, estranhamos a possibilidade de termos existido nesta ignorância. Questionamos a razão de nos rotinarmos e de nos fecharmos ao desigual.

Quando percebemos que estamos sempre à beira do fim mas que enquanto estamos na beira temos continuamente novas oportunidades, aproveitamos melhor aquilo que nos dão e agradecemos aos que existiram e aos que existem a possibilidade da partilha.

A experiência é sempre nova. Cada olhar é diferente cada respiração trás me novos motivos de inspiração. Cada verdade é única e cada beijo é eterno. Não me quero fechar naquilo que sei ou que conheço. Quero me descobrir, quero descobrir te, quero que me descubram.

Não sei se aqui e agora é um momento tão apropriado com foi o ali atrás mas só tenho este aqui e este agora. Consegues criar outro? Será que desejas criar outro? Ou este aqui e este agora são os que desejas ter?

As novas experiências acontecem... Só temos de esperar por elas.

Real imaginação ou Só

Passeava pelos cantos da minimal existência que carrego em cima dos ombros, quando alguém que consegue comunicar comigo me dizia "porque?". Ficou cá dentro a picar essa expressão ou pelo menos picava nos intervalos das picadas sem importância nenhuma com que me vão picando a existência.
"Porque" é que não escreves sobre a realidade? e "Porque" é que escreves sem significado nenhum?
A realidade? mas como?
A realidade é triste, redonda, injusta, infeliz, estúpida, egoísta e acima de tudo insensível. A realidade não existe. Como poderia escrever sobre essa realidade? Num mundo em que há mais do que suficiente para todos e muitos temos muito mais do que alguma vez precisaremos enquanto muitos mais outros nunca terão sequer hipóteses de ser. Que vergonha! Tenho vergonha de estar nesta realidade.
Num país em que os temas são ferros velhos, casamentos gays, escutas e outros temas mais ou menos alucinogénios. Queres que escreva sobre isto? não quero, não posso, não consigo.
Numa existência em que se premeiam os falsos, em que se promove a mentira, em que se esquece o amor, em que se torturam as pessoas, em que se mata a imaginação, queres que escreva sobre isto?
Não!
Prefiro escrever sobre amor, paixão, partilha, momentos de felicidade, ser único, ser especial. Sobre estrelas e flores, sobre sol e lua, sobre respiração ofegante, sobre o dizer "pára" para continuar, sobre o imaginar a aventura seguinte, sobre o estar juntos, sobre os sentidos, sobre o que sentes, sobre o que sinto, sobre "o amor e uma cabana", no fundo sobre tudo o que me enche a imaginação.
Para ti que gosto de desafiar, por ti que me fazes ir mais longe, não é sobre isto que devíamos procurar encontrar o caminho certo?
Para ti que gosto de desafiar, por ti que me fazes ir mais longe, não seria isto que procurávamos?


terça-feira, 10 de novembro de 2009

É por isto

É por isto que sou Metaleiro.

to no men I Kneel


Insónias delirantes de paixão


Procurava nas asas da noite a sensação, aquela sensação. O medo de se dar, o receio de a receber, a luta consigo contra si.

Procurava no brilho do dia o desejo, aquele desejo, o ir sem querer voltar, o sentir-se único a dois, a partilha da perfeição.

Procurava na força do músculo a vontade, aquela vontade, o respirar o ar do outro, o gemido único do prazer, a fonte interminável de querer.

Procurava no segundo seguinte os lábios, aqueles lábios, únicos pelo carinho, desejados pelo calor, possuídos sem pertença.

Procurava no olhar, a esperança, a eterna esperança, do momento, daquele momento, do único momento, em que por momentos seriam partilhados todos os momentos.

Procurava na dor, a realidade, aquela realidade, esquecida, passada, lembrada, presente, continua, imortal, irreal.


sábado, 7 de novembro de 2009

O herói da minha rua

Quando o sol nascia naquele monte, reflectia nas velhas pedras daquele moinho a luz que nos guiava. O sol nascia todos os dias mas o tempo que cada um via era diferente. Esse tempo dependia da forma como cada um enquanto individuo e cada um enquanto parte do bando conseguia libertar-se.

Á volta do moinho surgiram 4 ruas, 340 casas, umas quantas mais vidas e incontáveis sonhos. Como em todos os sonhos de todas as vidas, existia naquela rua um herói. Alguém com mais confiança, alguém com mais vontade, alguém com mais força, alguém com mais carisma, alguém...

Ele era perfeito.
Quando todos éramos corredores, ele era o Carlos Lopes.
Quando todos éramos jogadores, ele era o Maradona.
Quando todos éramos hoquistas, ele era o Xana.
Quando todos éramos saltadores, ele era o Bubka.
Quando todos éramos ciclistas, ele era o Agostinho.
Quando todos éramos cowboys, ele era o John Wayne.

Tudo à volta do moinho. Naquele espaço, no seu espaço ele era o rei e nós assim o queríamos. Era dele que todos queriam ser amigos. Era com ele que todos queriam estar. Era na escada dele que nos juntávamos todos e era dele a palavra final sobre todos os assuntos.

Também era ele que nos protegia. Protegia-nos dos outros, protegia-nos uns dos outros e principalmente ensinou-nos a proteger-nos uns com os outros. Ele era o nosso herói, o maior, o mais mau, o mais importante de todos.

Contudo quando os sonhos se desvanecem e a realidade se clarifica, o nosso herói conheceu uma heroína. Longe do monte, longe do moinho, longe de nós ela transformou-o.

Foi por ela que nos trocou. Foi por ela que desapareceu. Foi por ela que nos fez sofrer.
No fim, foi ela que o fez voltar.
Voltou de moletas, mas voltou.
Voltou a pedir, mas voltou.
Voltou a morrer, mas voltou.
Era só isso que queríamos, que voltasse.

Foi ela que o fez partir mas foi ela que nos partiu a todos. Foi por ela que acabou os seus dias dentro do velho moinho, despedaçado, amordaçado mas junto dos seus, junto de nós.

Ela levou-o mas ele deixou-me a sua força, a sua vontade, a sua capacidade de dizer que não. Foi nele que sempre arranjei forças para continuar. É ele que me fala nos momentos em que a palavra "desistir" vem à cabeça.

Afinal nós somos os cavaleiros do moinho.