domingo, 26 de abril de 2009

Preferências

Caros leitores assíduos

Hoje apetece-me falar de preferências.

Toda a gente, ou pelo menos aqueles que achamos que têm o direito de se chamar "gente" tem preferências. Evidentemente que existem aqueles que gostaríamos de acreditar que podem preferir, mas esses limitam-se a seguir o que lhes é imposto e a servir para nos entreter na hora do telejornal e a fazer acreditar o nosso ego ocidental que somos muito benévolos. Que chatice! Lá estou eu a divagar do tema proposto.

Voltando ao tema do dia, preferências, todos temos. Existe em cada um de nós aquele pequeno-almoço que não sabe de outra maneira em mais lado nenhum ou aquela cor que brilha apenas daquela maneira ou aquele gesto que mais ninguém repete.

Sobre pequenos-almoços, eu por mim continuo a ter o meu pequeno-almoço preferido naquele quiosque. Bola de Berlim e leite frio com um café no fim. "António, tira lá o café se faz favor!". Rodeado daqueles que me trataram como sendo um dos seus e que certamente chamarei sempre os meus. Daqueles que verdadeiramente acreditaram e comeram o pão a saber a merda. Os que sabiam que havia um ombro em cada esquina e que as hienas têm sorrisos tão brilhantes como mortais. Também a eles tenho de agradecer, a sueca, o mata-bicho e a força para continuar.

Também nessa altura existiam cores, mais ou menos verdadeiras ou puras. Aliás, acho que as cores sempre existiram e sempre existirão. No entanto, foi mais tarde, muito mais tarde que uma cor verdadeiramente pura chegou.
Tão verdadeira como inesperada.
Tão pura como viciante.
Como se todos os arco-íris, de todos os planetas, de todas as galáxias se juntassem para se transformassem num único instante de beleza. Um instante tão intenso, tão irrepetível, tão extraordinariamente belo que me deixa completamente dependente da sua existência e da sua aparição. Como se todos os meus órgãos apenas exercessem as suas funções dependentes desse brilho. Claro que como todos os momentos extraordinários, também sei que este existirá apenas o tempo suficiente para tornar cada vez mais insuportável o ciclo entre o prazer da sua presença e a depressão da sua ausência. Até ao instante em que não surgirá mais. A partir daí, todas as outras cores parecerão meras imitações de algo tão perfeito, tão puro, tão verdadeiro que servirão apenas para aumentar a saudade dessa cor preferida.

Chegámos aos gestos preferidos. Existem tantos gestos que me são queridos. Podia ser segurar o cachecol, o abanar o pescoço ao som de um qualquer hino de heavy metal ou a partilha da loira fresca com qualquer amigo. Mais recentemente também passou a ser importante o segurar nas mãos dos herdeiros, enquanto lhes ensino qualquer coisa, das poucas que lhes posso passar... Mas o meu gesto preferido é mesmo a partilha da verdade. Seja com os leitores assíduos, com a mente maldita ou com qualquer outro ser existente neste lugar aplanado por Deus e arredondado por Galileu.

A melhor música de 2009

Caros leitores assiduos

Novo album dos Xutos.

Chama-se "O Falcão" e é a melhor música de 2009. Para mim está entregue.

"Mesmo a teu lado sigo em solidão!"

Será que ninguém entende?



Vastas planícies de desespero
Eu sei que te perdeste por lá
Olha o falcão pairando no alto
Tu segue a flecha do seu olhar

Por tudo o que eu fiz
Não consigo voltar atrás
Por tudo o que eu quis
Desesperado sigo em solidão

O fumo branco sobre no ar
Vem da cidade que nunca dorme
Acho que eu já fui como tu
Um puto inquieto e cheio de fome

As pedras soltas escondem o caminho
Nada parece ser o que é
Também eu já me perdi sozinho
Olhos fechados e nenhuma fé
Olhos fechados e nenhuma fé

Por tudo o que eu fiz
Não consigo voltar atrás
Por tudo o que eu quis
Desesperado sigo em solidão

Por tudo o que eu fiz
Não consigo voltar atrás
Por tudo o que eu quis
Desesperado sigo em solidão

Vastas planícies de desespero
Eu sei que me arrancaste dali
As tuas penas foram os meus braços
Tu foste a luz que eu descobri
Tu és a luz que eu hei-de seguir

Por tudo o que eu fiz
Sei que não posso voltar atrás
Por tudo o que eu não quis
Mesmo a teu lado sigo em solidão

Em solidão (x7)

Xutos & Pontapés - Sem eira nem beira

Comendadores ou não, ninguém os cala!
Porque eu sou e quero ser sempre assim...



Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir

Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir

Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

sábado, 25 de abril de 2009

O outro lado

Caros leitores assíduos
Estamos em Abril. Teoricamente na longa história deste rectângulo criado entre mouros e castelhanos, mês de lutas, revoluções e outros assuntos mais ou menos rebeldes.
Rebeldia, luta e revolução é o que a mente que, a minha mãe me deu para usar, está sempre a criar. Eu tento convence-la que o mundo é a preto e branco, que só há bons e maus, que quem é mau só pode ser mau e que quem é bom será sempre bom. Tento convence-la dos "sempres" e "nuncas" desta vida e de todas as outras verdades convenientes que tornam a loucura lógica.
Até há uns tempos, ela andava dominada e eu conseguia convence-la disso. Recentemente a mente começou a duvidar. Começou a achar que se calhar não era bem assim. Que as pessoas boas também são más e que as pessoas más também sofrem e choram.
Que raio! Tinha-a perfeitamente controlada e convencida disso. Porque é que ela tem a mania de não acreditar em mim?
Tenho de a compreender. Nestes últimos luares existiram voltas e mais voltas dos cubos onde ela tinha fechado e adquirido todas estas regras fundamentais. Afinal, alguém resolveu mostrar-lhe outras cores. Alguém mostrou-lhe que afinal os maus também choram, deixando-me assim desarmado.
A mente anda assim rebelde, em luta e quer a revolução, a independência de mim. Quer conhecer outras cores, quer conhecer o lado bom dos maus e o lado mau dos bons. Evidentemente que não aceito. Não posso aceitar que agora, por dá cá aquela palha, se ponham em dúvida as bases da existência da minha pessoa.
Continuarei a lutar e a resistir mas ela cada vez tem mais apoios... e de facto as cores são tão lindas!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

If Jesus Christ Can Do Drugs Why Can't We?

Caros leitores assíduos

Freedom of mind!
Freedom of speech!
Freedom!



Para quem não conhece, Marilyn Manson...
17 de Junho no Coliseu do Porto. Eu quero ver se estou lá!

O sol

Caros leitores assíduos

Mais uns momentos de alivio de loucura. Será que alguém lê isto?

O Sol dá-nos vida.
O Sol aquece-nos a alma.
O Sol renasce, como se de uma repetição se tratasse.
O Sol trás-nos a luz que nos guia nas trevas da vida.
O Sol liberta-nos da escuridão do silêncio.
O Sol leva-nos mais longe que o infinito.
O Sol recorda-nos o futuro.
O Sol está lá mesmo quando não precisamos dele.
O Sol esteve lá mesmo quando não reparámos nele.
O Sol estará lá mesmo se não tratarmos dele.

Mas

O Sol também nos pode queimar.
O Sol também nos pode viciar.
O Sol também nos pode ferir.
O Sol também nos pode magoar.
O Sol também nos pode matar.

Independente de tudo, mesmo depois da morte, o Sol continuará a brilhar no dia seguinte.

Só para ti que és o ultimo anjo na terra.

domingo, 19 de abril de 2009

Saudade

Caros leitores assíduos,
Dizem os entendidos que a origem da palavra saudade, se encontra nos longínquos dias dos descobrimentos. Segundo eles, descrevia o sentimento de perca, de incerteza de quem ficava ou de quem partia para o mar.
Ainda citando os especialistas, saudade é uma palavra que só existe em Português. Não sou nem entendido, nem muito menos especialista em evolução lexical da língua portuguesa. Aliás, pensando bem não sou especialista nem em evolução da língua portuguesa, nem em nenhum outro tema.
O que sou é um apreciador de junções de letras e do aperto na garganta que elas trazem. Não sei se saudade só existe em Português. Sei que eu não existia se não tivesse saudade. Sei que se não existisse esta palavra na minha língua materna, eu inventava-a.
Alguém querido desafiava-me para descrever a saudade?
Para ti fica aqui a resposta, deste aprendiz de guionista de series de classe b.
Saudade é aquele acorde que apenas a guitarra portuguesa consegue ter.
Saudade é aquela estrela d' alva que apenas existe no nosso olhar.
Saudade é a dor no peito quando penso em ti.
Saudade é a lembrança do caminho velho.
Saudade é aquilo que nos empurra para a frente.
Saudade é a década do texto da fita na gaveta.
Saudade será o que te manterá na memoria.
Saudade será a honra que tenho em ser teu.
Saudade será o orgulho que tenho naquilo que me deste.
Saudade será o dia em que a mudança me vença.
Saudade será a morte da utopia.
Saudade será o dia do fim do homem novo.
Aguardo o dia em que lá naquela estrela te reencontrarei. Nesse momento, só existirão as saudades do futuro. Até lá, espera por mim e guia-me na escuridão deste mundo.
Sempre a pensar em ti.

sábado, 18 de abril de 2009

Politiquices

Caros leitores assíduos
A vidinha da mente anda muito intensa. Eu até tenho muita coisa para escrever mas a intensidade com que a mente anda, não me dá liberdade para tal. Não deixa de ser curioso que me sinta com falta de liberdade logo no mês de Abril. Devia fazer uma revolução dos cravos na mente. Ou mesmo que não fosse dos cravos, devia fazer uma revolução, uma qualquer.
O racional da vida corrente anda demasiadas vezes ligado. A mente anda, demasiadas vezes ocupada com a racionalidade dos desvalores da vidinha normal. Dessa forma, a mente convence-se que anda muito ocupada e que é muito útil, o que é ainda mais grave. Anda embriagada pelas coisas e esquece-se do sentir.
Com esta embriaguez racional, a mente não se preocupa com o que realmente devia. Aquela parte irracional, sentimental e obscura que lhe causa maior risco. Analisar, meditar e decidir sobre esta parte é neste momento, impossível à mente debruçar-se. A parte racional ocupa toda a sua capacidade.
A racionalidade, parte que reina no momento anda a ser muito alimentada nos últimos tempos. Este facto deve-se em grande parte à utilização indiscriminada de calculismo. Procuram-se estratégias mais ou menos correctas, justificam-se meios com fins. Planeiam-se formas de convencer outros que estamos certos, mesmo que pensemos o contrário. Claro que esta parte elimina a emoção, destrói a vontade e o mata o querer.
Quero acreditar que com o tempo, a mente voltará ao normal e a racionalidade será aplicada na quantidade necessária à sociedade nos achar "normais". Não pretendemos mais que isto ou seja passar despercebidos na multidão e viver na nossa irracionalidade emotiva conjunta.
Ás vezes acho que a mente me quer tornar num "deles". Só a ideia me assusta. Não quero que a mente faça isso. Tenho de a convencer que devemos continuar a ser um dos "nossos" e não um dos "deles". Porque os "nossos" não são racionais, são emotivos. Tenho de lhe fazer crer que os "nossos" estarão sempre connosco, enquanto "deles" só se espera que cuidem de nós enquanto lhes fazemos falta. Mas ela anda embriagada e enquanto este estado não passar, será difícil de a convencer. Só espero que a mente não se transforme em dependente dessa embriaguez.

domingo, 12 de abril de 2009

O dia da ressurreição

Caros leitores assíduos
Hoje gostava de falar sobre a importância do Senhor na minha vida. Para quem me conhece sabe que não sou (de longe) o mais fervoroso dos católicos. Também gosto de separar a igreja católica de Deus. Para mim, não são, não podem ser uma e a mesma coisa. Faz-me lembrar aquelas pessoas que são de bons princípios, mas andam muito mal aconselhadas. Mas isso é outra conversa, não é esse o tema de hoje. Tais pessoas não merecem que escreva sobre elas neste dia.
Desde miúdo que, muito influenciado pela minha Mãe, fui levado pelo caminho da igreja católica. É claro que por muito que se use o racional, depois de se escutarem, as palavras da Mãe ficam para sempre gravadas na alma de um filho. Afinal por quem é que gritamos à noite? Para quem esperamos voltar ao colo? Penso sempre que Ela tem de ter razão, até porque ninguém gosta ou se preocupa mais comigo do que Ela.
Sinceramente, acredito que Jesus Cristo esteve cá, acredito que Ele foi diferente, acredito que seria Filho de Deus e acredito, claro que acredito que morreu por nós, pecadores. Para mim faz todo o sentido. Para que serviria tanta morte, tanto sofrimento, tanta ganância, tanta mentira se no fim não existisse alguém que nos avaliasse a todos?
Hoje para mim é um dia de meditação. Penso naquilo que fiz, naquilo que faço mas penso principalmente naquilo que podia e devia ter feito pelos meus irmãos. Por isso, me penitencio pelo que devia ter feito.
Para mim
Hoje é o dia do Senhor.
Hoje é o dia da Esperança.
Hoje é o dia do Amor.
Hoje é o dia da Ressurreição do Senhor Cristo!
Amén

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Gostava de

Gostava de ter calma. Gostava de te ter com calma.
Com a calma com que uma onda se aproxima do céu.
Com a calma de uma estrela que se apaga na noite.
Com a calma de uma brisa que leva o teu sentido.
Gostava de passear. Gostava de te passear.
Passear juntos, unidos pelo suave toque dos corpos.
Passear sozinhos, unidos pela força do universo.
Passear nus, cobertos pelo brilho do amor.
Gostava de cheirar. Gostava de te cheirar.
Cheirar a cor da tua manhã.
Cheirar a cumplicidade dos teus olhos.
Cheirar o suspiro do teu prazer.
Gostava de sentir. Gostava de te sentir.
Sentir a intensidade da corrente do teu rio.
Sentir o cheio e o vazio da tua maré.
Sentir o desaguar da tua foz no oceano.
Gostava de mudar. Gostava de te mudar.
Mudar o sabor das lágrimas que choras.
Mudar as batalhas que travas sem mim.
Mudar o caminho que fazes sozinha.
Gostava de amar. Gostava de te amar.
Amar a liberdade que na tua prisão encontro.
Amar a lógica que na tua loucura descubro.
Amar a angustia que no teu sossego observo.
Gostava de viver. Gostava de te viver.
Viver com a calma de um passeio à beira mar.
Viver os cheiros e os sentidos que a tua luz cria.
Viver a mudança que o amor trás.